Para teles, volume de tráfego na final da Copa será alto, mas nem tanto

Samuel Possebon

Afinal, qual será o tráfego de dados gerado dentro dos estádios durante a Copa do Mundo? A infraestrutura das operadoras móveis e das redes Wi-Fi de cada uma das arenas estará preparada para absorver o volume de bits trafegados? Na semana passada, um estudo publicado pela NetApp sugeriu que o tráfego gerado na final da Copa, no Maracanã, seria de nada menos do que 12,6 TeraBytes (TB). O número, espantoso, é questionado pelas operadoras de telecomunicações. Segundo estudos preliminares feitos pelas teles a que este noticiário teve acesso, é muito improvável que o volume seja tão grande. E o melhor comparativo é o tráfego efetivamente gerado no Superbowl 2014, realizado no começo do ano em Nova Iorque.

Trata-se da final do futebol americano, terceiro maior evento esportivo do mundo, e único comparável a uma final de Copa do Mundo, realizado em um mercado em que a tecnologia de 4G já está bem mais madura do que no Brasil. Pelas contas das teles, o tráfego sugerido pela NetApp seria oito vezes maior do que o verificado no último Superbowl. Os dados divulgados pela Verizon e pela AT&T Wireless logo após a final do futebol americano, em fevereiro, mostram números bem menos robustos do que os esperados para a Copa no Brasil pela NetApp.

A Verizon disse que seus clientes geraram um tráfego de 1,9 TB, e a AT&T teve 55 mil ligações e 624 GB de tráfego de dados no estádio em que foi disputado o Superbowl (MetLife Stadium). Foram, portanto, 2,5 TB, o que daria apenas 20% do tráfego projetado pela NetApp, e ainda assim para um estádio com 82 mil pessoas, contra 74 mil do Maracanã, segundo levantamento feito por este noticiário.

No comparativo das teles, o tráfego de 12,6 TB também seria 32 vezes o tráfego da final da Copa das Confederações, realizada há um ano no mesmo Maracanã.

O problema, segundo as teles, está em supor que cada pessoa no estádio vá transmitir um vídeo em alta definição de pelo menos um minuto de duração, que é a metodologia da NetApp. Um vídeo do Instagram, por exemplo, costuma ter perto de 9 MB. Se esse for o padrão, para se chegar ao volume projetado pela NetApp, cada pessoa no estádio precisaria transmitir pelo menos 20 vídeos de Instagram, ou 320 fotos por pessoa.

Existe, é claro, o volume de dados transmitido pelos jornalistas e equipe da própria Fifa, mas para esses haverá nos estádios uma rede específica, e não haverá, em tese, impacto sobre a rede móvel.

Teste satisfatório

Acerca do tráfego de dados nos estádios brasileiros, o SindiTelebrasil publicou uma nota nesta segunda-feira, 1, dizendo que foi “satisfatório” o desempenho das redes móveis instaladas para atender ao tráfego da Arena Corinthians, onde foi realizado um jogo teste com 40 mil torcedores neste final de semana. O sindicato aponta alguns picos de tráfego, e não traz dados numéricos mais precisos sobre o volume de bits escoados pelas redes 3G e 4G. Sabe-se que em várias arenas, incluindo a da abertura da Copa, as teles terão uma cobertura limitada por não terem conseguido acesso com antecedência para a instalação dos equipamentos. Em alguns casos, a cobertura do serviço Wi-Fi não será feito pelas teles, e sim pelos próprios estádios. As operadoras estão reforçando a cobertura nas áreas externas aos estádios.

Fonte: Mobile Time



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