App Secret: psicologia explica a polêmica

Ainda que a internet passe uma ilusória segurança, a anonimidade é sempre temporária.

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Navegar no Secret causa uma experiência diferente para cada um. Nas últimas semanas, o aplicativo lançado em janeiro por David Byttow e Chrys Bader – dois ex-funcionários do Google – vem conquistando enorme popularidade, assim como a atenção dos noticiários. Porém, os holofotes iluminam mais o lado obscuro do uso que alguns têm feito do que pelo seu propósito original.

Diferentemente do Whisper e do extinto PostSecret, em que os “segredos” são compartilhados para toda a rede indiscriminadamente, o Secret mostra conteúdos de seus contatos e suas redes, além de pessoas de localidades próximas, de maneira que, embora você não conheça o autor, pode passar um tempo tentando adivinhá-lo por dentre seus contatos na rede social.

Levando em conta que nossa mente tem a capacidade de moldar aquilo que não sabemos de acordo com nossas necessidades e/ou desejos momentâneos, a pessoa que postou pode nem ser a que imaginamos, mas a essa altura já podemos ter uma teoria sobre quem é o autor e quais os seus motivos para publicar aquilo. Portanto, o que atrai nesse aplicativo é a possibilidade de nos identificarmos com os outros, mas principalmente a ideia de que aqueles segredos “cabeludos” podem ser de algum amigo – ou desafeto. E a cada segredo lido, vamos entrando numa grande correnteza onde nossas fantasias passam a fluir livremente.

Os segredos compartilhados têm os mais diversos temas: relacionamento, família, cotidiano, trabalho, superação etc; alguns mais descontraídos e divertidos, outros emocionais ou em forma de desabafo. É um serviço que captura a atenção, principalmente por envolver pessoas possivelmente próximas a você. No entanto, o que se vê com muita frequência entre os usuários brasileiros têm preocupado os criadores do serviço, as autoridades locais e pais de menores de idade: conteúdos difamatórios e caluniosos, preconceituosos, racistas, vazamento de imagens íntimas, cyberbullying e muitos depoimentos de baixíssimo calão e de gosto duvidoso.

O psicólogo John Suler, professor da Universidade de Rider (New Jersey), publicou um trabalho que ilustra bem o que acontece no Secret. É um texto publicado com o título “The Online Disinhibition Effect” (O Efeito de Desinibição Online). Explica por que, por exemplo, o fato de ninguém saber quem você é pode trazer uma sensação de estar “protegido” – tanto para quem posta, quanto para quem comenta ou curte. Dessa forma, também se pode apenas desabafar, emitir uma opinião e depois ir embora, sem ter que se preocupar com o que as outras pessoas irão pensar.

Também é fácil encontrar indivíduos em busca apenas de repercussão, em forma de comentários e “curtidas”, o que parece ser uma forma de buscar aceitação grupal, de um coletivo, ainda que todo anônimo. É aquela velha história de que muitas vezes achamos que todo mundo tem uma opinião parecida sobre alguma coisa, mas da qual ninguém tem coragem de falar declaradamente… até que num aplicativo como o Secret, torna-se plausível dizer algo que em outra situação não se falaria, e passa a ser possível até mesmo unir-se às ideias de outras pessoas, sem a obrigação de expor a identidade de ninguém. Como resultado, muitas vezes um aplicativo anônimo dá uma impressão de ser uma terra sem leis, onde não há uma autoridade claramente estabelecida, e um lugar no qual as regras do dia-a-dia e do face-a-face não se aplicam.

Como em qualquer espaço social, seja online ou não, existem normas de conduta, além da legislação local para lidar com ilegalidades. Ainda que a internet passe uma ilusória segurança e sensação de impunidade aos que lá cometem delitos, a anonimidade é sempre temporária: tanto o Secret como as demais redes sociais possuem dispositivos para identificar os autores e repassar às autoridades. E mesmo para os bem intencionados, a linha entre o certo e o errado é sempre muito tênue. Recomenda-se muita avaliação prévia em relação à conteúdos que possam ferir os sentimentos ou a moralidade de outra pessoa. Para a vítima, seja o autor conhecido ou não, a ofensa é igualmente dolorida.

Fonte: Olhar Digital 



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